Escolhas: o peso (e a liberdade) das decisões

Está a enfrentar uma mudança importante? Saiba mais sobre a dificuldade em tomar decisões e como o coaching psicológico pode ajudar a fazer escolhas mais conscientes.

Escolher é, inevitavelmente, abdicar. Por mais clara ou desejada que seja a meta, é normal surgirem dúvidas, inseguranças e a sensação de que existem outros caminhos…
E se me arrepender?
E se estiver a escolher mal?
E se…?
Mudar de carreira ou de empresa; ficar ou sair de uma relação; mudar de curso, ou mesmo voltar a estudar após alguns anos, são exemplos de decisões importantes que vamos enfrentando.

Psicologia e o processo de decisão
As decisões envolvem mais do que apenas prós e contras lógicos.
Segundo um estudo de Tversky e Kahneman (1981), o enquadramento das situações podem influenciar a nossa decisão – mesmo quando estatisticamente as opções são idênticas. Quando uma escolha é apresentada como ganho, tendemos a ser mais cautelosos; quando é apresentada como perda, somos mais propensos a arriscar (para tentar evitar a perda).
Num dos exemplos mais conhecidos envolve uma situação de sobrevivência, que implica a decisão sobre um programa para salvar vidas:
• Quando as opções foram apresentadas como ganhos (por exemplo, “200 pessoas serão salvas”), a maioria das pessoas escolheu a alternativa mais segura.
• Quando as mesmas opções foram apresentadas como perdas (por exemplo, “400 pessoas vão morrer”), a maioria preferiu a alternativa mais arriscada — mesmo que o risco envolvesse a perda de todos.
Ou seja, não é só sobre a decisão em si. É também como é sentida e percebida que impacta a nossa escolha.
Vemos isto em decisões do dia-a-dia quando, em muitas situações, evitamos decidir ou ficamos até paralisados, ao imaginar apenas o que poderíamos perder:

“Já tínhamos planeado férias juntos, e agora?”;

“Se for para este curso vou deixar de ter tempo para mim, para estar com amigos, família…”

“Será que vale mesmo a pena deixar esta trabalho?”

Por outro lado, olhar apenas para potenciais ganhos pode levar a ignorar sinais importantes – e mais tarde surgir a autocrítica ou culpa quando algo não corre como esperava:
-“Como é que eu não vi isto antes?”
-“Estou outra vez aqui…”
-“Nunca corre nada bem”

Escolher com consciência (e não com culpa)
As decisões envolvem também emoções, experiências vividas anteriormente, valores pessoais, o momento presente. Envolvem a nossa disponibilidade para perceber o que se está disposto a perder para poder ganhar.
Tomar uma decisão é, acima de tudo, um exercício de presença e de responsabilidade. Não significa que terá sempre certezas, nem garantia de resultados perfeitos. Mas pode significar que age com intenção, e não apenas por reação ao medo ou à dúvida.

O coaching psicológico pode ajudar neste processo: a tomar decisões conscientes, a clarificar o que é importante, a refletir sobre ganhos e perdas, a organizar prioridades, a desenvolver estratégias para alcançar objetivos, e a cultivar autocompaixão ao longo do caminho.
Se está perante uma decisão importante, ou sente que chegou o momento de fazer mudanças mas não sabe por onde começar, este pode ser o ponto de partida.